Jul 14, 2026

As Melhores Histórias Começam na Maciota

Largue a pressão de criar a história perfeita!!

Bem, esse artigo nada mais é do que um relato de um autor que quer expressar o quanto que às vezes a autocobrança e o desejo de ter uma odisseia complexa revolucionária pode destruir seu processo criativo. E é verdade: quando você cria uma premissa na expectativa de ser sua magnum opus, sua obra-prima, isso pode realmente comprometer o processo de criá-la, mesmo que a ideia seja genuinamente boa. Muitas vezes as melhores histórias são desenvolvidas de modo espontâneo e simples, sem intenção de ser algo muito complicado ou perfeito, e essa aparente "falta de ambição" pode revelar ser uma benção.

Aprendi na marra o quanto não ligar pode ser muito batuta

Muitos anos antes de publicar qualquer coisa na Fliptru, imaginava mil histórias que seriam na minha cabeça seriam o novo One Piece, o Naruto brasileirinho, cheias de arcos e sagas e personagens secundários que retornariam em grandes pontos de clímax. Sabe quantas delas foram publicadas ou sequer saíram da mente? Isso mesmo, crianças: um redondo 0 (zero, log1, 1-1, e tudo mais)! Acontece que, quanto mais eu ia detalhando a história, enchendo de frufru e novos personagens, eu acabava estagnando, tendo que resolver furos atrás de furos para que tudo fique perfeitinho, ao invés de ter feito o óbvio e procurado por uma abordagem mais simples.

Tanto que não é à toa que minha primeira e mais popular obra aqui é Macacadas, um quadrinho que originalmente foi criado como uma brincadeira interna do meu grupo de amigos da escola, que acabou crescendo naturalmente em proporção na internet. Esse quadrinho foi, pra mim, prova viva de que propostas simples como historinhas engraçadas envolvendo macaquinhos no meio do mato poderiam evoluir naturalmente e virar um projeto muito mais rico do que o esperado. Às vezes o que falta para a história que você põe tantas expectativas é uma dose de simplicidade, um conceito mais direto, que dê para experimentar e brincar um pouco mais.

Inclusive, já percebeu que muitos mangás japoneses tem o costume de ter uma natureza mais episódica no começo de sua publicação? Isso pode parece estranho pra quem só vê os animes, mas diversos gibizinhos japoneses começam não com uma introdução grandiosa à origem do mundo e da Via Láctea e do dinossauro, mas sim com pequenas tramas simples, que entregam exatamente do que se trata aquela premissa e como ela se aplica a diferentes situações de modo criativo e divertido. Às vezes aquilo que mais cativa seu leitor não é uma lore densa e ramificada, mas sim um conceito maneiro ou personagens que genuinamente são legais de acompanhar.

Então o problema não é ter uma narrativa grande, é querer complexidade em vez de qualidade.

Acho que essa frase é bem autoexplicativa: você querer jogar todo o seu mundo complexo e detalhado em cima do seu leitor pode acabar afastando ele da sua história, ao invés de deixá-lo envolvido na trama. Imagina se você quando criança tivesse que aprender sobre contas com frações, potenciação e funções quadráticas quando você nem sabia contar até vinte... Seria meio desanimador, né? Então o X da questão é que está tudo bem você querer um enredo épico e profundo, desde que você apresente isso de modo digerível para seu público, primeiro estabeleça o básico para só depois querer evoluir, sem a expectativa de ter de criar a Divina Comédia da nona arte.

Quem raios é o autor desse artigo maneirasso?

Oi, prazer, me chamo Victor M! Sou autor de quadrinhos aqui na Fliptru, principalmente conhecido pela minha série de comédia "Macacadas", e estou na plataforma há mais de 2 anos. Amo interagir com a cena indie de quadrinhos br e sou integrante do coletivo de quadrinhos Black Vitrine. Siga meu perfil e o da @Blackvitrine para não perder os lançamentos das melhores histórias que essa plataforma pode oferecer, e agradeço de coração por ter lido minha Torre de Babel de papo criativo.

Autor do artigo fliptru.com.br/@Victor_M

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