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economia

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Mercado Imobiliário

Uma dívida que ecoou na cabeça de um jovem, no final da década de noventa, com um pensamento inquieto de quem nunca saiu da idade dos porquês. Para ser honesto eu saí da idade dos porquês, apenas deixei de fazer as perguntas aos outros, eu próprio procuro as respostas, mas aquela inquietação ainda está cá toda. A dúvida era: **Como é possível uma casa com 10 anos valer mais do que quando era nova?** A resposta a esta pergunta é mais complexa do que parece à primeira vista, demorei bastante tempo até encontrar. Também temos que entender o contexto, na época a internet estava dando os primeiros passos, eu não tinha internet em casa, o acesso à informação era limitado. Estas e outras curiosidades estimularam o meu conhecimento/gosto por política, economia, moeda e política monetária. São várias áreas, um espectro muito alargado, mas é necessário, para responder à pergunta. Quando era jovem, fazia-me muita confusão, tudo o que era vendido em segundo mão era sempre mais barato, com as excepções das casas e da arte. Eu não conseguia perceber como uma habitação usada, mesmo estando em bom estado, existe sempre algum desgaste, valer mais do que quando era nova. Eu estou a falar na generalidade e sempre a longo prazo. Com o tempo eu encontrei a resposta, tudo não passa de uma ilusão, não são as casas que valorizam, a moeda é que perde valor. Ou seja, o número é maior, mas o seu real valor é similar. O imobiliário é utilizado como sendo um “bom” produto para combater a inflação, não por ser bom, mas por ser o menos mau. Porque a maioria dos produtos financeiros são piores que o imobiliário. ## Poupança Os **keynesianos** gostam muito de apregoar que o **dinheiro não é para acomular**, é para circular. Ao criarem **inflação**, “obrigam” as pessoas a gastar o dinheiro, porque se ficar parado no banco perdem poder de compra, a taxa de inflação é superior à taxa de juro dos depósitos, este tipo de política criaram uma sociedade de consumismo desenfreado. As pessoas necessitam de uma poupança, de uma segurança para o seu futuro, como não compensa ter dinheiro no banco. Isso leva-nos a um problema, década após década de políticas monetárias desastrosas, as pessoas optam por preservar o seu património no imobiliário, ficando muito exposta a este mercado. Depois acontecem estes cúmulos, como “[Portugal é o país com mais casas, mas 735 mil estão vazias](https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/portugal-e-o-pais-desenvolvido-com-mais-casas-11629076.html)”, é claro que algumas são devolutas ou habitações de imigrantes mas existem muitas e muitas casas são unicamente um produto financeiro. Mas isto de usar o imobiliário com um produto financeiro desvirtua o mercado, cria as cíclicas bolhas, agora estamos num momento muito complicado a nível mundial, em especial em Portugal. Estamos a viver um momento em que os jovens não conseguem encontrar uma casa para viver, existem poucas casas e as que existem são valores absurdos. Enquanto os nossos pais levavam uma década a pagar uma casa, agora os jovens, no mínimo levam 3 décadas. Se nada for mudado vamos chegar ao ponto como já existe no Japão, os empréstimos que passam para os filhos, uma geração já não é suficiente para pagar a casa para viver. Pode parecer um contrassenso, mas a realidade não é que as casas ficaram muito mais caras, as pessoas agora é que ganham muito menos que no passado, as casas têm acompanhado a inflação real mas os vencimentos têm perdido desde [1971](https://wtfhappenedin1971.com/). ![](https://cdn.nostr.build/i/f268288e5548e0afe21925cae2f90c8bc7529fc01ad3bfa9a6832b5e77ecf164.png) No tempo dos nossos pais, em muitas famílias apenas trabalhava o homem e era suficiente para comprar/construir uma casa e sustentar a sua família. Agora trabalham os dois membros do casal e mesmo assim tem muitas dificuldades em sustentar-se. Ou seja, o custo de aquisição de uma casa acompanhou a inflação, mas os rendimentos não. O aumento de produtividade gerado pelo desenvolvimento tecnológico, não está a ser canalizado para os trabalhadores, está a ir uma pequena parte para as empresas, mas a maior percentagem vai para os estados, é devorado pela inflação. A industrialização, permitiu a redução de postos de trabalho e a consequente baixa do preço dos produtos, mas isto não está a acontecer no imobiliário. A criação de bolhas é algo cíclico neste sistema monetário, até vou mais longe, este sistema incentiva a criação de bolhas, para permitir que alguns ganhem dinheiro à conta de outros que não percebem como isto funciona. A ideia é mesmo essa, a complexidade é tal, para o povo não perceber como este sistema funciona. A curto prazo as casas até podem valorizar acima da inflação, mas as bolhas acabam sempre por rebentar e a correção acontece. A longo prazo o imobiliário “acompanha” a inflação, mas existe uma maneira de valorizar o imobiliário (acima da inflação), através da alteração da zona envolvente. Existem aqueles, sem escrúpulos, que usam o imobiliário como um meio para enriquecer, é a principal origem da corrupção em Portugal, especialmente nas autarquias, através da mudança de PDM, aprovação de projetos como pontes, estradas, hospitais, reabilitação e etc. O “_insider trading_” é uma fonte inesgotável de dinheiro. ## Bem de Primeira Necessidade Tudo isto porque vivemos numa ideia errada criada por _keynesianos_, a meu ver é preferivel acomular dinheiro, do que acumular casas. O imobiliário deve servir exclusivamente para o seu objectivo inicial, casas para as pessoas viverem ou como instalações/meios para as empresas funcionarem. **Nunca um produto financeiro**, se querem investir, vão para as bolsas de valores, comprem ações. Os imóveis deveriam ser baratos, de fácil acesso, é um **bem de primeira necessidade**, são para servir as pessoas e empresas, nunca um meio de poupança ou de enriquecimento. As casas são um **bem de primeira necessidade**, mas os seus preços estão exorbitantes, impossíveis de pagar pelos mais jovens, está a criar movimentos de ocupas, se a bolha não rebenta estes movimentos radicais vão crescer drasticamente. Se rebentar, as pessoas que compraram recentemente terão problemas, a dívida ao banco será maior que o valor da casa. Isto só demonstra que este sistema não funciona, não é bom para os dois lados,  Em Espanha [está a ser algo preocupante](https://eco.sapo.pt/2023/05/06/sairam-de-casa-e-quando-voltaram-deparam-se-com-okupas-ocupacoes-ilegais-em-espanha-aumentam/), são mais de 17 mil ocupações por ano. Existem casos de pessoas que vão de férias e quando voltam têm a casa ocupada. Devido à altas inflações, as pessoas vão continuar a perder poder de compra, o que irá aumentar a crispação/revolta de uma parte da sociedade, vai alimentar os movimentos de ocupas. As pessoas vão pressionar os governos e estes vão tomar medidas menos ortodoxas, para contrair a dificuldade de encontrar uma casa para habitar. Em Portugal, o governo está a criar leis: * Limitações à subida da renda dos novos contratos * Arrendamento **forçado** de casas, mesmo contra a vontade do dono * Limitações/proibições para o alojamento local * Fim dos vistos ‘gold’ No [Canadá proíbe estrangeiros não residentes de comprar casas](https://www.idealista.pt/news/imobiliario/internacional/2023/01/04/56182-canada-proibe-estrangeiros-nao-residentes-de-comprar-casas). Se esta **crispação** entre as pessoas/governos e os proprietários aumentar, o que acontecerá se o imobiliário deixar de ser um investimento seguro, certamente haverá uma fuga de capital para outros ativos. ## Qual a dimensão do imobiliário? ![](https://cdn.nostr.build/i/d096f23f6995ca820173d9b5bf2dca99566a9db1fd28bcc0331d243cc49adf75.jpg) São mais de 330 Triliões de dólares a nível global, é o activo que mais acumula. É claro que dos 330 Triliões, uma parte significativa é primeira habitação ou instalações comercial/industrial, mas uma parte é “produto financeiro”, como proteção contra a inflação. O que aconteceria se existisse uma moeda que preservasse o poder de compra, um produto financeiro superior ao imobiliário, uma reserva de valor a longo prazo, certamente uma parte do capital alocado nos imóveis moveria para essa moeda.

2075

Maiores Economias do Mundo em 2075, de acordo com projeções do Goldman Sachs. É assustador a quantidade de países não democracias na tabelas e sobretudo no top10. ![image]( https://image.nostr.build/7f955cd6b470e495b6ec9d8308880a3515f44f2935e1961ea9237f302255eb17.jpg) As economias ocidentais com crescimento anémicos, inferiores a 2% ao ano, enquanto as economias dos países emergentes, com crescimentos incríveis de 5 a 10% ao ano. Alguns países fundadores dos BRICS, também vão demontrar dificuldades no crescimento, como a China, Rússia e Brasil, pouco acima dos 2%. A maioria dos países que agora não pertencem a nenhum grupo (nem G7 nem ao BRICS), geopoliticamente estão mais alinhados e próximos dos BRICS. Estamos mesmo a iniciar uma Nova Ordem Mundial. O crescimento populacional, certamente será um dos principais responsáveis por estes resultados da projecção. Além do baixo crescimento e com elevados custos das dívidas soberanas, com a necessidade de desvalorizar da moeda, os cidadãos do mundo ocidental vão perder muito poder de compra. Com o crescimento dos países emergentes, tanto a nível económico, como populacional, vão surgir milhões de "novos" cidadãos com um poder de compra elevado, que irão competir com os ocidentais pelos recursos. Como os recursos são finitos e escassos, inevitável os preços irão subir, sobretudo os produtos alimentares e matérias primas. Não será um futuro fácil para o intitulado mundo ocidental.

Roteiro para o livro: Lilo e Capi em Busca do Dinheiro Verdadeiro

### Sinopse Lilo, a jack russell aventureira, e Capi, a capivara ponderada, embarcam em uma jornada incrível pela história do dinheiro. Juntas, elas descobrem como as pessoas trocavam favores nas tribos, usavam conchas, penas e ouro, criaram notas de papel, bancos e, por fim, o dinheiro que conhecemos hoje. Mas será que todo dinheiro mantém seu valor? Com linguagem simples, ilustrações divertidas e muitas aventuras, este livro mostra como diferentes formas de dinheiro impactaram a vida das pessoas e como um dinheiro realmente escasso pode ajudar trabalhadores e famílias a poupar e crescer ao longo do tempo. Uma viagem cheia de descobertas para crianças e adultos entenderem, de forma leve e curiosa, o que faz um dinheiro ser verdadeiro. --- ## **Capítulo 1 – A Tribo Sem Dinheiro** ### Página 1 **Texto:** "Depois de atravessar rios e florestas, Lilo e Capi chegaram a uma tribo isolada na Amazônia." **Ilustração:** Lilo balança em um cipó e aterrissa de forma heroica; Capi tenta atravessar uma ponte improvisada e quase cai. Floresta densa, animais tropicais. ### Página 2 **Texto:** "Logo perceberam algo curioso: ninguém ali usava dinheiro." **Ilustração:** Clareira com a tribo reunida em círculo, trocando alimentos. Lilo observa agachada, Capi olha confusa com um caderninho. ### Página 3 **Texto:** "Quando um caçador trazia comida para todos, ganhava uma semana de refeições grátis." **Ilustração:** Caçador exibe um javali; membros da tribo entregam porções de mandioca e frutas. Lilo surpresa; Capi tenta desenhar o javali. ### Página 4 **Texto:** "Quem plantava mais mandioca recebia mais carne dos caçadores." **Ilustração:** Mulheres colhendo mandioca; caçadores entregam carne extra. Lilo carrega uma mandioca gigante, Capi observa. ### Página 5 **Texto:** "Cada um contribuía com o que sabia fazer, e todos eram recompensados." **Ilustração:** Cena panorâmica: pescadores, coletores e caçadores trocando alimentos. ### Página 6 **Texto:** "As dívidas eram lembradas por todos. A memória da tribo era o dinheiro." **Ilustração:** Tribo reunida à noite, contando histórias e lembrando favores. Lilo pensativa, Capi cochila segurando mandioca. ### Página 7 (Reflexão) **Texto:** "Capi pensou: 'Antes de existir moeda, as pessoas trocavam favores e lembravam quem devia o quê. Era o livro-caixa vivo da tribo.'" **Ilustração:** Lilo e Capi à beira de um rio ao pôr do sol, tranquilas. --- ## **Capítulo 2 – Quando as Tribos se Encontram** ### Página 1 **Texto:** "Um dia, a tribo de Capi encontrou uma nova tribo desconhecida." **Ilustração:** Duas tribos se encontram na floresta. Lilo acena, Capi segura um saco com peles. ### Página 2 **Texto:** "A tribo de Capi tinha muitas peles. Mas a nova tribo não tinha nada que eles quisessem." **Ilustração:** Tribo de Capi mostra peles; a outra oferece peixes e frutas. Lilo coça a cabeça. ### Página 3 **Texto:** "Sem confiança entre elas, não havia como lembrar quem devia o quê." **Ilustração:** Membros das tribos apontando uns para os outros, confusos. Lilo faz gesto de dúvida, Capi pensativa. ### Página 4 **Texto:** "Então começaram a trocar penas raras, conchas e até um saco de sal." **Ilustração:** Troca de peles por sal, conchas e penas raras. Lilo brinca com uma concha, Capi observa. ### Página 5 **Texto:** "Esses objetos raros viraram provas físicas das dívidas entre as tribos." **Ilustração:** Pilhas de conchas e penas acumuladas em uma mesa improvisada. ### Página 6 (Reflexão) **Texto:** "Capi lembrou: 'Sem confiança entre todos, é preciso usar coisas raras para representar valor… diferente da tribo, onde a memória bastava.'" **Ilustração:** Lilo exibe uma pena colorida; Capi sorri levemente. --- ## **Capítulo 3 – Quando a Riqueza Deixa de Ser Rara** ### Página 1 **Texto:** "Um dia, grandes barcos chegaram pelo rio. Eram os colonizadores com novas ferramentas." **Ilustração:** Caravela estilizada com bandeiras fictícias; portugueses descarregando ferramentas. ### Página 2 **Texto:** "Com suas máquinas, produziam sal, conchas e penas muito mais rápido." **Ilustração:** Portugueses fervendo água, moendo conchas, criando penas artificiais. ### Página 3 **Texto:** "O que antes era raro ficou comum. Conchas, penas e sal perderam valor." **Ilustração:** Pilhas de conchas e penas jogadas no chão; Lilo desapontada, Capi pensativa. ### Página 4 **Texto:** "Sem um bem escasso, as tribos precisavam de algo novo para guardar valor." **Ilustração:** Tribos discutindo, Lilo gesticula, Capi desenha algo na areia. ### Página 5 **Texto:** "Os colonizadores trouxeram algo raro e bonito: o ouro." **Ilustração:** Português exibe uma moeda de ouro brilhante; baú com pepitas. ### Página 6 (Reflexão) **Texto:** "Capi concluiu: 'Quando algo deixa de ser raro, ele perde valor. Foi assim com as conchas, as penas e o sal…'" **Ilustração:** Lilo tenta morder uma moeda de ouro; Capi observa pensativa. --- ## **Capítulo 4 – A Cidade nas Nuvens e o Dinheiro de Papel** ### Página 1 **Texto:** "Lilo e Capi voltaram à incrível cidade nas nuvens, cheia de máquinas e dirigíveis." **Ilustração:** Cidade steampunk flutuante com engrenagens, dirigíveis e prédios vitorianos. ### Página 2 **Texto:** "Mas ali o ouro era pesado demais para ser levado pelas nuvens." **Ilustração:** Comerciantes suando para carregar sacos de ouro. ### Página 3 **Texto:** "Então começaram a usar cheques para representar o ouro." **Ilustração:** Banqueiro entrega cheque com selos vistosos; mercador assina com caneta de pena. ### Página 4 **Texto:** "Com o tempo, surgiram notas leves e fáceis de usar." **Ilustração:** Comerciantes trocando bens com notas antigas ornamentadas. ### Página 5 **Texto:** "Os bancos eram bancas nas feiras, anotando valores nos livros-caixa." **Ilustração:** Banqueiros com cartolas escrevendo em livros grossos. ### Página 6 **Texto:** "Oficiais do governo conferiam os livros, garantindo que tudo estava certo." **Ilustração:** Funcionário carimba páginas de um livro gigante; outro confere moedas. ### Página 7 (Reflexão) **Texto:** "Capi pensou: 'Agora o dinheiro é papel, mas ainda depende do ouro guardado. Diferente das conchas, o ouro continua sendo raro.'" **Ilustração:** Lilo e Capi no topo da cidade, olhando para dirigíveis ao entardecer. --- ## **Capítulo 5 – Quando o Ouro Some dos Cofres** ### Página 1 **Texto:** "Com o tempo, os bancos começaram a emprestar mais notas do que ouro tinham." **Ilustração:** Banco steampunk com tubos pneumáticos enviando notas; cofre quase vazio. ### Página 2 **Texto:** "Cada vez mais notas circulavam, mas o ouro continuava o mesmo." **Ilustração:** Cidade movimentada com notas voando como folhas. ### Página 3 **Texto:** "Alguns começaram a desconfiar: havia ouro para todos?" **Ilustração:** Comerciantes preocupados na fila do banco. ### Página 4 **Texto:** "Quando muitos foram buscar seu ouro, descobriram que ele não estava lá." **Ilustração:** Multidão furiosa na porta do banco. ### Página 5 **Texto:** "Os preços subiram, especialmente para coisas que não podiam ser produzidas mais rápido, como casas e terras." **Ilustração:** Feira caótica, placas de preços subindo; casas e terrenos com valores altos. ### Página 6 (Reflexão) **Texto:** "Capi pensou: 'Quando criam dinheiro demais, ele perde valor… como quando a tecnologia tornou conchas e penas comuns.'" **Ilustração:** Lilo e Capi em um balão ao pôr do sol, notas voando ao fundo. --- ## **Capítulo 6 – Quando o Dinheiro Perdeu o Lastro** ### Página 1 **Texto:** "Os reinos fizeram um acordo: usar as notas do Império de Aurum, que seriam trocadas por ouro." **Ilustração:** Conferência steampunk com bandeiras fictícias. ### Página 2 **Texto:** "Aurum prometeu trocar suas notas por ouro sempre que alguém pedisse." **Ilustração:** Banqueiros de Aurum entregam barras de ouro em troca de notas. ### Página 3 **Texto:** "Mas Aurum começou a imprimir muito mais notas do que ouro tinha." **Ilustração:** Máquina a vapor estampando notas em alta velocidade. ### Página 4 **Texto:** "Os outros reinos começaram a trocar notas por ouro, esvaziando os cofres de Aurum." **Ilustração:** Diplomatas trocam sacos de notas por barras de ouro. ### Página 5 **Texto:** "Até que Aurum anunciou: 'Nossas notas não serão mais trocadas por ouro!'" **Ilustração:** Líder de Aurum em um púlpito steampunk. ### Página 6 **Texto:** "O dinheiro agora valia apenas porque Aurum dizia que tinha valor." **Ilustração:** Notas voando pelo ar; máquina de impressão ligada. ### Página 7 (Reflexão) **Texto:** "Capi pensou: 'Agora o dinheiro vale só pela confiança… e quando criam demais, o poder de compra desaparece.'" **Ilustração:** Lilo e Capi em um dirigível; balão de memória mostra capítulos anteriores. --- ## **Capítulo 7 – O Preço Invisível da Inflação** ### Página 1 **Texto:** "Com as fábricas, a produtividade aumentou e a classe média cresceu." **Ilustração:** Cidade steampunk industrial com fábricas e operários felizes. ### Página 2 **Texto:** "Com mais produção, os preços deveriam cair com o tempo." **Ilustração:** Linha de produção a vapor; placas de preço caindo. ### Página 3 **Texto:** "Mas com dinheiro fiduciário, governos imprimiam mais notas sem mais produção." **Ilustração:** Políticos steampunk em máquina de imprimir notas. ### Página 4 **Texto:** "Diziam que a inflação era baixa, mas ignoravam o ganho de produtividade." **Ilustração:** Político mostra gráfico falso; famílias pagam caro por casas. ### Página 5 **Texto:** "Coisas sem ganho de produtividade, como casas e ouro, subiam de preço sem parar." **Ilustração:** Imobiliárias e comerciantes de ouro com preços altíssimos. ### Página 6 **Texto:** "As famílias compravam mais roupas e eletrônicos, mas cada vez menos casas e móveis." **Ilustração:** Cena dividida: loja de roupas cheia e imobiliária com clientes desanimados. ### Página 7 (Reflexão) **Texto:** "Capi pensou: 'O dinheiro fiat rouba os ganhos do trabalho. A classe média parece igual, mas perde poder de compra.'" **Ilustração:** Cena ao pôr do sol, Capi pensativa; balão de memória mostra capítulos anteriores. --- ## **Capítulo 8 – O Dinheiro que Não se Multiplica Sozinho** ### Página 1 **Texto:** "Lilo e Capi ouviram falar de um dinheiro que ninguém podia criar a mais." **Ilustração:** Comerciante misterioso mostra moeda brilhante com símbolo matemático. ### Página 2 **Texto:** "Esse dinheiro tinha quantidade fixa, impossível de aumentar." **Ilustração:** Balança gigante com pilha limitada de moedas e produtos do outro lado. ### Página 3 **Texto:** "Com mais produção, os preços começaram a cair naturalmente." **Ilustração:** Feira industrial com placas de preço sendo trocadas para valores menores. ### Página 4 **Texto:** "As famílias compravam mais com o mesmo trabalho." **Ilustração:** Famílias felizes com carrinhos cheios e poucas moedas gastas. ### Página 5 **Texto:** "Produtos tecnológicos ficavam cada vez mais baratos." **Ilustração:** Loja de gadgets steampunk com preços caindo. ### Página 6 **Texto:** "Casas e terras continuavam caras, mas ninguém comprava apenas para especular." **Ilustração:** Imobiliária com preços razoáveis; famílias adquirindo casas. ### Página 7 (Reflexão) **Texto:** "Capi pensou: 'Com um dinheiro que não cresce sozinho, a produtividade beneficia a todos.'" **Ilustração:** Lilo e Capi em um dirigível ao amanhecer, cidade iluminada abaixo. --- ## **Capítulo 9 – O Dinheiro que Protege o Futuro** ### Página 1 **Texto:** "Alguns pensadores imaginaram um dinheiro estável e confiável, sem criação infinita." **Ilustração:** Biblioteca steampunk; Hayek como inventor segurando pergaminho. ### Página 2 **Texto:** "Grupos de inventores criaram ferramentas para trocas seguras." **Ilustração:** Oficina secreta steampunk com inventores (cypherpunks). ### Página 3 **Texto:** "Phil Zimmermann criou o PGP, tornando possível proteger mensagens." **Ilustração:** Zimmermann mostra máquina de codificação. ### Página 4 **Texto:** "Adam Back, Nick Szabo e Hal Finney criaram as primeiras moedas digitais." **Ilustração:** Três inventores mostram suas ideias em computadores a vapor. ### Página 5 **Texto:** "Então surgiu alguém misterioso: Satoshi Nakamoto." **Ilustração:** Figura sombria com capa entrega pergaminho brilhante. ### Página 6 **Texto:** "Nasceu um dinheiro digital, escasso e confiável." **Ilustração:** Rede global de computadores steampunk formando a palavra BITCOIN. ### Página 7 (Reflexão) **Texto:** "Capi pensou: 'Agora existe um dinheiro que protege o poder de compra e permite poupar para o futuro.'" **Ilustração:** Cena final ao amanhecer; balão de memória mostra a jornada inteira. ---

Inflação, guerra e políticos

Adoro ver os fiduciários a publicarem dados, na qual desmente declarações ou atitudes dos próprios fiduciários no passado. Quando estávamos em plena crise inflacionista, os políticos e economistas correram para as televisões e jornais a atribuir a responsabilidade da inflação, em exclusividade, à guerra da Ucrânia. «A invasão da Ucrânia pela Rússia, há dois anos, alimentou uma escalada dos preços do gás natural e da eletricidade na Europa, e o disparo da inflação para níveis históricos.» – [Expresso](https://expresso.pt/internacional/guerra-na-ucrania/dois-anos-de-guerra-na-ucrania/2024-02-21-Guerra-na-Ucrania-precos-que-escalaram-inflacao-que-disparou--os-dois-anos-que-viraram-o-mercado-energetico-do-avesso--fb8bbbbf) Mas antes de começar a guerra, a inflação(IPC) estava nos 5.3%, já em [máximos históricos](https://bpstat.bportugal.pt/serie/5721524). ![image](https://image.nostr.build/9c2f161fc9c8317080dc21d30e3a752ed375a0b8e637194e5692928896c39740.jpg) É claro que a guerra contribuiu para a subida de preço, mas não foi a principal razão. A subida generalizada de preços, vulga inflação, pode acontecer por dois fatores distintos. # Ruptura na cadeia de abastecimento Quando existe uma ruptura na cadeia de abastecimento, ou seja, um problema na oferta ou na demanda. A guerra provocou uma ruptura na oferta, sobretudo na energia e nos cereais. Na pandemia houve uma ruptura na demanda, nas máscaras e no álcool gel. Só que este tipo de inflação é temporária, de curto prazo, a longo prazo acaba por corrigir. Têm um impacto inicial, o preço dos produtos sobem rapidamente, depois a indústria ajusta-se e os preços acabam por corrigir. # Inflação monetária Ao contrário da ruptura da cadeia de abastecimento que é temporária, a inflação monetária é persistente, nunca mais volta aos valores anteriores. Esta inflação é gerada pelo bancos centrais ou bancos comerciais, através de políticas que aumentam a base monetária, para os leigos, os bancos imprimem dinheiro. O aumento da base monetária não gera inflação de imediato na economia, esse processo é demorado, os fiduciários chamam-no de tempo de transmissão. É um _delay_ que existe, desde o momento em que se aplica uma mudança da política monetária e os seus efeitos a serem visíveis na economia real. Este _delay_ pode variar entre 6 meses a 2 anos. ----------- Observando o gráfico, a subida do IPC iniciou-se a Março de 2021, mas começou a acelerar 6 meses após, muito antes da guerra. Se existe um _delay_ na causa-efeito, logo a inflação é resultante de algo que aconteceu anteriormente, vamos ver o que aconteceu nos 2 anos anteriores. ![image](https://image.nostr.build/351c61cc6c8967b87b695afe63e5f49d75790b41fd3e597659d82b15c22d0cb3.jpg) Nesse período aconteceu a pandemia e o BCE efetuou o maior aumento da base monetária, desde a criação da moeda única. O início foi no primeiro trimestre de 2020 e a inflação (IPC) começou a subir no primeiro trimestre de 2021, mais ou menos um ano, correspondente ao intervalo de tempo do tempo de transmissão. A semelhança entre a impressão do banco central (EUCBBS, em azul) e o IPC (em azul) é perfeita, apenas com um _delay_. O BCE imprimiu (QE) ~4 triliões de euros, corresponde a um aumento de ~90% da base monetária(EUCBBS), no seu pico, em Setembro de 2022. Nesta mesma data, o IPC atingiu os 9%, o que levou o BCE a implementar medidas mais drásticas para combater a subida de preços, aplicou políticas de redução de recompras de obrigações do Tesouro e a subida das taxas diretoras. As políticas surtiram efeito, o EUCBBS teve uma correção, de 8.84 triliões para 6.36 triliões, mas se compararmos de 2020 a 2024, houve um aumento de 1.7 triliões, ~37%, ou seja, o EUCBBS não voltou aos valores anterior. Passados 2 anos após a guerra, os preços da energia e dos cereais, já baixaram, estão bastante abaixo do pico. Enquanto o EUCBBS está muito longe dos valores de 2020. Para que os produtos voltassem ao preço de 2021, o EUCBBS também necessitaria voltar para valores anteriores à guerra, mas isso nunca vai acontecer. A inflação monetária não é temporária, é permanente.

Previsões para 2025

Último dia do ano, momento para tirar o pó da bola de cristal, para fazer reflexões, previsões e desejos para o próximo ano e seguintes. Ano após ano, o Bitcoin evoluiu, foi ultrapassando etapas, tornou-se cada vez mais _mainstream_. Está cada vez mais difícil fazer previsões sobre o Bitcoin, já faltam poucas barreiras a serem ultrapassadas e as que faltam são altamente complexas ou tem um impacto profundo no sistema financeiro ou na sociedade. Estas alterações profundas tem que ser realizadas lentamente, porque uma alteração rápida poderia resultar em consequências terríveis, poderia provocar um retrocesso. # Código do Bitcoin No final de 2025, possivelmente vamos ter um _fork_, as discussões sobre os _covenants_ já estão avançadas, vão acelerar ainda mais. Já existe um consenso relativamente alto, a favor dos _covenants_, só falta decidir que modelo será escolhido. Penso que até ao final do ano será tudo decidido. Depois dos _covenants,_ o próximo foco será para a criptografia post-quantum, que será o maior desafio que o Bitcoin enfrenta. Criar uma criptografia segura e que não coloque a descentralização em causa. Espero muito de Ark, possivelmente a inovação do ano, gostaria de ver o Nostr a furar a bolha bitcoinheira e que o Cashu tivesse mais reconhecimento pelos _bitcoiners_. Espero que surjam avanços significativos no BitVM2 e BitVMX. Não sei o que esperar das layer 2 de Bitcoin, foram a maior desilusão de 2024. Surgiram com muita força, mas pouca coisa saiu do papel, foi uma mão cheia de nada. Uma parte dos projetos caiu na tentação da _shitcoinagem_, na criação de tokens, que tem um único objetivo, enriquecer os devs e os VCs. Se querem ser levados a sério, têm que ser sérios. > “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta” Se querem ter o apoio dos _bitcoiners_, sigam o _ethos_ do Bitcoin. Neste ponto a atitude do pessoal da Ark é exemplar, em vez de andar a chorar no Twitter para mudar o código do Bitcoin, eles colocaram as mãos na massa e criaram o protocolo. É claro que agora está meio “coxo”, funciona com uma _multisig_ ou com os _covenants_ na Liquid. Mas eles estão a criar um produto, vão demonstrar ao mercado que o produto é bom e útil. Com a adoção, a comunidade vai perceber que o Ark necessita dos _covenants_ para melhorar a interoperabilidade e a soberania. É este o pensamento certo, que deveria ser seguido pelos restantes e futuros projetos. É seguir aquele pensamento do J.F. Kennedy: > “Não perguntem o que é que o vosso país pode fazer por vocês, perguntem o que é que vocês podem fazer pelo vosso país” Ou seja, não fiquem à espera que o bitcoin mude, criem primeiro as inovações/tecnologia, ganhem adoção e depois demonstrem que a alteração do código camada base pode melhorar ainda mais o vosso projeto. A necessidade é que vai levar a atualização do código. # Reservas Estratégicas de Bitcoin ## Bancos centrais Com a eleição de Trump, emergiu a ideia de uma Reserva Estratégia de Bitcoin, tornou este conceito _mainstream_. Foi um _pivot_, a partir desse momento, foram enumerados os políticos de todo o mundo a falar sobre o assunto. A Senadora Cynthia Lummis foi mais além e propôs um programa para adicionar 200 mil bitcoins à reserva ao ano, até 1 milhão de Bitcoin. Só que isto está a criar uma enorme expectativa na comunidade, só que pode resultar numa enorme desilusão. Porque no primeiro ano, o Trump em vez de comprar os 200 mil, pode apenas adicionar na reserva, os 198 mil que o Estado já tem em sua posse. Se isto acontecer, possivelmente vai resultar numa forte queda a curto prazo. Na minha opinião os bancos centrais deveriam seguir o exemplo de El Salvador, fazer um DCA diário. Mais que comprar bitcoin, para mim, o mais importante é a criação da Reserva, é colocar o Bitcoin ao mesmo nível do ouro, o impacto para o resto do mundo será tremendo, a teoria dos jogos na sua plenitude. Muitos outros bancos centrais vão ter que comprar, para não ficarem atrás, além disso, vai transmitir uma mensagem à generalidade da população, que o Bitcoin é “afinal é algo seguro, com valor”. Mas não foi Trump que iniciou esta teoria dos jogos, mas sim foi a primeira vítima dela. É o próprio Trump que o admite, que os EUA necessitam da reserva para não ficar atrás da China. Além disso, desde que os EUA utilizaram o dólar como uma arma, com sanção contra a Rússia, surgiram boatos de que a Rússia estaria a utilizar o Bitcoin para transações internacionais. Que foram confirmados recentemente, pelo próprio governo russo. Também há poucos dias, ainda antes deste reconhecimento público, Putin elogiou o Bitcoin, ao reconhecer que “Ninguém pode proibir o bitcoin”, defendendo como uma alternativa ao dólar. A narrativa está a mudar. Já existem alguns países com Bitcoin, mas apenas dois o fizeram conscientemente (El Salvador e Butão), os restantes têm devido a apreensões. Hoje são poucos, mas 2025 será o início de uma corrida pelos bancos centrais. Esta corrida era algo previsível, o que eu não esperava é que acontecesse tão rápido. ![image](https://image.nostr.build/582c40adff8833111bcedd14f605f823e14dab519399be8db4fa27138ea0fff3.jpg) ## Empresas A criação de reservas estratégicas não vai ficar apenas pelos bancos centrais, também vai acelerar fortemente nas empresas em 2025. ![image](https://image.nostr.build/35a1a869cb1434e75a3508565958511ad1ade8003b84c145886ea041d9eb6394.jpg) Mas as empresas não vão seguir a estratégia do Saylor, vão comprar bitcoin sem alavancagem, utilizando apenas os tesouros das empresas, como uma proteção contra a inflação. Eu não sou grande admirador do Saylor, prefiro muito mais, uma estratégia conservadora, sem qualquer alavancagem. Penso que as empresas vão seguir a sugestão da BlackRock, que aconselha um alocações de 1% a 3%. Penso que 2025, ainda não será o ano da entrada das 6 magníficas (excepto Tesla), será sobretudo empresas de pequena e média dimensão. As magníficas ainda tem uma cota muito elevada de _shareholders_ com alguma idade, bastante conservadores, que têm dificuldade em compreender o Bitcoin, foi o que aconteceu recentemente com a Microsoft. Também ainda não será em 2025, talvez 2026, a inclusão nativamente de wallet Bitcoin nos sistema da Apple Pay e da Google Pay. Seria um passo gigante para a adoção a nível mundial. # ETFs Os ETFs para mim são uma incógnita, tenho demasiadas dúvidas, como será 2025. Este ano os _inflows_ foram superiores a 500 mil bitcoins, o IBIT foi o lançamento de ETF mais bem sucedido da história. O sucesso dos ETFs, deve-se a 2 situações que nunca mais se vão repetir. O mercado esteve 10 anos à espera pela aprovação dos ETFs, a procura estava reprimida, isso foi bem notório nos primeiros meses, os _inflows_ foram brutais. Também se beneficiou por ser um mercado novo, não existia _orderbook_ de vendas, não existia um mercado interno, praticamente era só _inflows_. Agora o mercado já estabilizou, a maioria das transações já são entre clientes dos próprios ETFs. Agora só uma pequena percentagem do volume das transações diárias vai resultar em _inflows_ ou _outflows_. Estes dois fenómenos nunca mais se vão repetir, eu não acredito que o número de _inflows_ em BTC supere os número de 2024, em dólares vai superar, mas em btc não acredito que vá superar. Mas em 2025 vão surgir uma infindável quantidade de novos produtos, derivativos, novos ETFs de cestos com outras criptos ou cestos com ativos tradicionais. O bitcoin será adicionado em produtos financeiros já existentes no mercado, as pessoas vão passar a deter bitcoin, sem o saberem. Com o fim da operação ChokePoint 2.0, vai surgir uma nova onda de adoção e de produtos financeiros. Possivelmente vamos ver bancos tradicionais a disponibilizar produtos ou serviços de custódia aos seus clientes. Eu adoraria ver o crescimento da adoção do bitcoin como moeda, só que a regulamentação não vai ajudar nesse processo. # Preço Eu acredito que o topo deste ciclo será alcançado no primeiro semestre, posteriormente haverá uma correção. Mas desta vez, eu acredito que a correção será muito menor que as anteriores, inferior a 50%, esta é a minha expectativa. Espero estar certo. # Stablecoins de dólar Agora saindo um pouco do universo do Bitcoin, acho importante destacar as _stablecoins_. No último ciclo, eu tenho dividido o tempo, entre continuar a estudar o Bitcoin e estudar o sistema financeiro, as suas dinâmicas e o comportamento humano. Isto tem sido o meu foco de reflexão, imaginar a transformação que o mundo vai sofrer devido ao padrão Bitcoin. É uma ilusão acreditar que a transição de um padrão FIAT para um padrão Bitcoin vai ser rápida, vai existir um processo transitório que pode demorar décadas. Com a re-entrada de Trump na Casa Branca, prometendo uma política altamente protecionista, vai provocar uma forte valorização do dólar, consequentemente as restantes moedas do mundo vão derreter. Provocando uma inflação generalizada, gerando uma corrida às _stablecoins_ de dólar nos países com moedas mais fracas. Trump vai ter uma política altamente expansionista, vai exportar dólares para todo o mundo, para financiar a sua própria dívida. A desigualdade entre os pobres e ricos irá crescer fortemente, aumentando a possibilidade de conflitos e revoltas. > “Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão” Será mais lenha, para alimentar a fogueira, vai gravar os conflitos geopolíticos já existentes, ficando as sociedade ainda mais polarizadas. Eu acredito que 2025, vai haver um forte crescimento na adoção das _stablecoins_ de dólares, esse forte crescimento vai agravar o problema sistémico que são as _stablecoins_. Vai ser o início do fim das _stablecoins_, pelo menos, como nós conhecemos hoje em dia. ## Problema sistémico O sistema FIAT não nasceu de um dia para outro, foi algo que foi construído organicamente, ou seja, foi evoluindo ao longo dos anos, sempre que havia um problema/crise, eram criadas novas regras ou novas instituições para minimizar os problemas. Nestes quase 100 anos, desde os acordos de Bretton Woods, a evolução foram tantas, tornaram o sistema financeiro altamente complexo, burocrático e nada eficiente. Na prática é um castelo de cartas construído sobre outro castelo de cartas e que por sua vez, foi construído sobre outro castelo de cartas. As _stablecoins_ são um problema sistémico, devido às suas reservas em dólares e o sistema financeiro não está preparado para manter isso seguro. Com o crescimento das reservas ao longo dos anos, foi se agravando o problema. No início a Tether colocava as reservas em bancos comerciais, mas com o crescimento dos dólares sob gestão, criou um problema nos bancos comerciais, devido à reserva fracionária. Essas enormes reservas da Tether estavam a colocar em risco a própria estabilidade dos bancos. A Tether acabou por mudar de estratégia, optou por outros ativos, preferencialmente por títulos do tesouro/obrigações dos EUA. Só que a Tether continua a crescer e não dá sinais de abrandamento, pelo contrário. Até o próprio mundo cripto, menosprezava a gravidade do problema da Tether/_stablecoins_ para o resto do sistema financeiro, porque o _marketcap_ do cripto ainda é muito pequeno. É verdade que ainda é pequeno, mas a Tether não o é, está no top 20 dos maiores detentores de títulos do tesouros dos EUA e está ao nível dos maiores bancos centrais do mundo. Devido ao seu tamanho, está a preocupar os responsáveis/autoridades/reguladores dos EUA, pode colocar em causa a estabilidade do sistema financeiro global, que está assente nessas obrigações. Os títulos do tesouro dos EUA são o colateral mais utilizado no mundo, tanto por bancos centrais, como por empresas, é a charneira da estabilidade do sistema financeiro. Os títulos do tesouro são um assunto muito sensível. Na recente crise no Japão, do _carry trade_, o Banco Central do Japão tentou minimizar a desvalorização do iene através da venda de títulos dos EUA. Esta operação, obrigou a uma viagem de emergência, da Secretaria do Tesouro dos EUA, Janet Yellen ao Japão, onde disponibilizou liquidez para parar a venda de títulos por parte do Banco Central do Japão. Essa forte venda estava desestabilizando o mercado. Os principais detentores de títulos do tesouros são institucionais, bancos centrais, bancos comerciais, fundo de investimento e gestoras, tudo administrado por gestores altamente qualificados, racionais e que conhecem a complexidade do mercado de obrigações. O mundo cripto é seu oposto, é _naife_ com muita irracionalidade e uma forte pitada de loucura, na sua maioria nem faz a mínima ideia como funciona o sistema financeiro. Essa irracionalidade pode levar a uma “corrida bancária”, como aconteceu com o UST da Luna, que em poucas horas colapsou o projeto. Em termos de escala, a Luna ainda era muito pequena, por isso, o problema ficou circunscrito ao mundo cripto e a empresas ligadas diretamente ao cripto. Só que a Tether é muito diferente, caso exista algum FUD, que obrigue a Tether a desfazer-se de vários biliões ou dezenas de biliões de dólares em títulos num curto espaço de tempo, poderia provocar consequências terríveis em todo o sistema financeiro. A Tether é grande demais, é já um problema sistémico, que vai agravar-se com o crescimento em 2025. Não tenham dúvidas, se existir algum problema, o Tesouro dos EUA vai impedir a venda dos títulos que a Tether tem em sua posse, para salvar o sistema financeiro. O problema é, o que vai fazer a Tether, se ficar sem acesso às venda das reservas, como fará o _redeem_ dos dólares? Como o crescimento do Tether é inevitável, o Tesouro e o FED estão com um grande problema em mãos, o que fazer com o Tether? Mas o problema é que o atual sistema financeiro é como um curto cobertor: Quanto tapas a cabeça, destapas os pés; Ou quando tapas os pés, destapas a cabeça. Ou seja, para resolver o problema da guarda reservas da Tether, vai criar novos problemas, em outros locais do sistema financeiro e assim sucessivamente. ### Conta mestre Uma possível solução seria dar uma conta mestre à Tether, dando o acesso direto a uma conta no FED, semelhante à que todos os bancos comerciais têm. Com isto, a Tether deixaria de necessitar os títulos do tesouro, depositando o dinheiro diretamente no banco central. Só que isto iria criar dois novos problemas, com o Custodia Bank e com o restante sistema bancário. O Custodia Bank luta há vários anos contra o FED, nos tribunais pelo direito a ter licença bancária para um banco com _full-reserves_. O FED recusou sempre esse direito, com a justificativa que esse banco, colocaria em risco toda a estabilidade do sistema bancário existente, ou seja, todos os outros bancos poderiam colapsar. Perante a existência em simultâneo de bancos com reserva fracionária e com _full-reserves_, as pessoas e empresas iriam optar pelo mais seguro. Isso iria provocar uma corrida bancária, levando ao colapso de todos os bancos com reserva fracionária, porque no Custodia Bank, os fundos dos clientes estão 100% garantidos, para qualquer valor. Deixaria de ser necessário limites de fundos de Garantia de Depósitos. Eu concordo com o FED nesse ponto, que os bancos com _full-reserves_ são uma ameaça a existência dos restantes bancos. O que eu discordo do FED, é a origem do problema, o problema não está nos bancos _full-reserves_, mas sim nos que têm reserva fracionária. O FED ao conceder uma conta mestre ao Tether, abre um precedente, o Custodia Bank irá o aproveitar, reclamando pela igualdade de direitos nos tribunais e desta vez, possivelmente ganhará a sua licença. Ainda há um segundo problema, com os restantes bancos comerciais. A Tether passaria a ter direitos similares aos bancos comerciais, mas os deveres seriam muito diferentes. Isto levaria os bancos comerciais aos tribunais para exigir igualdade de tratamento, é uma concorrência desleal. Isto é o bom dos tribunais dos EUA, são independentes e funcionam, mesmo contra o estado. Os bancos comerciais têm custos exorbitantes devido às políticas de _compliance_, como o KYC e AML. Como o governo não vai querer aliviar as regras, logo seria a Tether, a ser obrigada a fazer o _compliance_ dos seus clientes. A obrigação do KYC para ter _stablecoins_ iriam provocar um terramoto no mundo cripto. Assim, é pouco provável que seja a solução para a Tether. ### FED Só resta uma hipótese, ser o próprio FED a controlar e a gerir diretamente as _stablecoins_ de dólar, nacionalizado ou absorvendo as existentes. Seria uma espécie de CBDC. Isto iria provocar um novo problema, um problema diplomático, porque as _stablecoins_ estão a colocar em causa a soberania monetária dos outros países. Atualmente as _stablecoins_ estão um pouco protegidas porque vivem num limbo jurídico, mas a partir do momento que estas são controladas pelo governo americano, tudo muda. Os países vão exigir às autoridades americanas medidas que limitem o uso nos seus respectivos países. Não existe uma solução boa, o sistema FIAT é um castelo de cartas, qualquer carta que se mova, vai provocar um desmoronamento noutro local. As autoridades não poderão adiar mais o problema, terão que o resolver de vez, senão, qualquer dia será tarde demais. Se houver algum problema, vão colocar a responsabilidade no cripto e no Bitcoin. Mas a verdade, a culpa é inteiramente dos políticos, da sua incompetência em resolver os problemas a tempo. Será algo para acompanhar futuramente, mas só para 2026, talvez… É curioso, há uns anos pensava-se que o Bitcoin seria a maior ameaça ao sistema ao FIAT, mas afinal, a maior ameaça aos sistema FIAT é o próprio FIAT(_stablecoins_). A ironia do destino. Isto é como uma corrida, o Bitcoin é aquele atleta que corre ao seu ritmo, umas vezes mais rápido, outras vezes mais lento, mas nunca pára. O FIAT é o atleta que dá tudo desde da partida, corre sempre em velocidade máxima. Só que a vida e o sistema financeiro não é uma prova de 100 metros, mas sim uma maratona. # Europa 2025 será um ano desafiante para todos europeus, sobretudo devido à entrada em vigor da regulamentação (MiCA). Vão começar a sentir na pele a regulamentação, vão agravar-se os problemas com os _compliance_, problemas para comprovar a origem de fundos e outras burocracias. Vai ser lindo. O _Travel Route_ passa a ser obrigatório, os europeus serão obrigados a fazer o KYC nas transações. A _Travel Route_ é uma suposta lei para criar mais transparência, mas prática, é uma lei de controle, de monitorização e para limitar as liberdades individuais dos cidadãos. O MiCA também está a colocar problemas nas _stablecoins_ de Euro, a Tether para já preferiu ficar de fora da europa. O mais ridículo é que as novas regras obrigam os emissores a colocar 30% das reservas em bancos comerciais. Os burocratas europeus não compreendem que isto coloca em risco a estabilidade e a solvência dos próprios bancos, ficam propensos a corridas bancárias. O MiCA vai obrigar a todas as exchanges a estar registadas em solo europeu, ficando vulnerável ao temperamento dos burocratas. Ainda não vai ser em 2025, mas a UE vai impor políticas de controle de capitais, é inevitável, as exchanges serão obrigadas a usar em exclusividade _stablecoins_ de euro, as restantes _stablecoins_ serão deslistadas. Todas estas novas regras do MiCA, são extremamente restritas, não é para garantir mais segurança aos cidadãos europeus, mas sim para garantir mais controle sobre a população. A UE está cada vez mais perto da autocracia, do que da democracia. A minha única esperança no horizonte, é que o sucesso das políticas cripto nos EUA, vai obrigar a UE a recuar e a aligeirar as regras, a teoria dos jogos é implacável. Mas esse recuo, nunca acontecerá em 2025, vai ser um longo período conturbado. # Recessão Os mercados estão todos em máximos históricos, isto não é sustentável por muito tempo, suspeito que no final de 2025 vai acontecer alguma correção nos mercados. A queda só não será maior, porque os bancos centrais vão imprimir dinheiro, muito dinheiro, como se não houvesse amanhã. Vão voltar a resolver os problemas com a injeção de liquidez na economia, é empurrar os problemas com a barriga, em de os resolver. Outra vez o efeito Cantillon. Será um ano muito desafiante a nível político, onde o papel dos políticos será fundamental. A crise política na França e na Alemanha, coloca a UE órfã, sem um comandante ao leme do navio. 2025 estará condicionado pelas eleições na Alemanha, sobretudo no resultado do AfD, que podem colocar em causa a propriedade UE e o euro. Possivelmente, só o fim da guerra poderia minimizar a crise, algo que é muito pouco provável acontecer. Em Portugal, a economia parece que está mais ou menos equilibrada, mas começam a aparecer alguns sinais preocupantes. Os jogos de sorte e azar estão em máximos históricos, batendo o recorde de 2014, época da grande crise, não é um bom sinal, possivelmente já existe algum desespero no ar. A Alemanha é o motor da Europa, quanto espirra, Portugal constipa-se. Além do problema da Alemanha, a Espanha também está à beira de uma crise, são os países que mais influenciam a economia portuguesa. Se existir uma recessão mundial, terá um forte impacto no turismo, que é hoje em dia o principal motor de Portugal. # Brasil Brasil é algo para acompanhar em 2025, sobretudo a nível macro e a nível político. Existe uma possibilidade de uma profunda crise no Brasil, sobretudo na sua moeda. O banco central já anda a queimar as reservas para minimizar a desvalorização do Real. ![image](https://image.nostr.build/eadb2156339881f2358e16fd4bb443c3f63d862f4e741dd8299c73f2b76e141d.jpg) Sem mudanças profundas nas políticas fiscais, as reservas vão se esgotar. As políticas de controle de capitais são um cenário plausível, será interesse de acompanhar, como o governo irá proceder perante a existência do Bitcoin e _stablecoins_. No Brasil existe um forte adoção, será um bom _case study_, certamente irá repetir-se em outros países num futuro próximo. Os próximos tempos não serão fáceis para os brasileiros, especialmente para os que não têm Bitcoin. # Blockchain Em 2025, possivelmente vamos ver os primeiros passos da BlackRock para criar a primeira bolsa de valores, exclusivamente em _blockchain_. Eu acredito que a BlackRock vai criar uma própria _blockchain_, toda controlada por si, onde estarão os RWAs, para fazer concorrência às tradicionais bolsas de valores. Será algo interessante de acompanhar. ----------- Estas são as minhas previsões, eu escrevi isto muito em cima do joelho, certamente esqueci-me de algumas coisas, se for importante acrescentarei nos comentários. A maioria das previsões só acontecerá após 2025, mas fica aqui a minha opinião. Isto é apenas a minha opinião, **Don’t Trust, Verify**!

O reconhecer de um problema

> 10 anos com taxa de juro, extraordinariamente baixa, a nível mundial, o investimento refúgio virou para o imobiliário. Ontem em entrevista para a TVI, **António Costa** reconheceu que o problema tem origem na desastrosa política monetária, “apenas” esqueceu de falar da enorme impressão de dinheiro que houve, em parte, para financiar a sua Bazuca. <br> É verdade que a desvalorização das moedas levou o investimento refúgio para o imobiliário,  criando uma tremenda desajuste no mercado. Agora os estados estão implementando medidas/políticas mais repressivas para afugentar os investidores. Os estados estão encostados à parede, ou não fazem nada, beneficiando os **_lobbies_**, os seus amigos, ou então cedem à pressão das populações, que estão a ficar **desesperadas**, cada vez mais gente a viver na rua. Em Portugal está a acontecer algo que eu nunca imaginei, pessoas com trabalho, acima do ordenado mínimo a viver na rua. No fim das contas,  os políticos para serem reeleitos necessitam dos votos do povo, já sabemos que lado vão escolher. <br> **O que vai acontecer a estas pessoas, se a crise chegar em força?** Se com trabalho já tem dificuldades em ter casa, o que vai acontecer se existir muito desemprego. Possível a taxa de juro para a habitação vai manter-se alta por algum tempo, as poupanças das pessoas também estão a acabar. As _yields_ dos países estão em alta, somando uma dívida pública colossal que necessita de ser refinanciada, não faltará muito para que a palavra **austeridade** volte à baila. Como alguém disse no passado, a economia à beira de precipício e todos os dias dá pequenos passos em frente. Não faltará muito para cair. O aumento da oferta de habitação é algo que demora, só daqui alguns anos terá efeito, além de poder criar inflação, devido à forte procura de materiais e profissionais para a construção. Os políticos necessitam de medidas que tenham **efeitos imediatos**, cada vez mais, vão endurecer as políticas para afastar as pessoas que compram casas como investimento. Os estados vão forçar o rebentar da bolha no imobiliário. O rebentar da bolha vai criar uma recessão. <br> **Será que os bancos vão resistir?** Como vimos no início do ano, os bancos estão com problemas. Os países também têm problemas, mas com a dívida soberana e ainda por cima terão que recapitalizar os bancos. <br> **Money, money, money** As “rotativas” vão trabalhar como nunca, vão imprimir tanto… é **inevitável**. A desvalorização da moeda vai levar a uma fuga de capital, **qual será o refúgio dos investidores?** Nos últimos anos tem sido o imobiliário, mas com a possível rebentar da bolha e com políticas agressivas dos estados, será que vão optar por outra via? Tenho uma dúvida que me inquieta, se a recessão e a impressão de dinheiro for de grande dimensão, não será mais seguro os investidores manterem-se no imobiliário, mesmo que tenham perdas devido ao rebentar da bolha. Ou seja, as perdas do rebentar da bolha serão inferiores, que as perdas se optar por outros ativos. <br> **Se abandonar o imobiliário, para onde vai esse capital?** Talvez, ouro ou **bitcoin**. <br> Não sei, são demasiadas questões sem resposta. Uma coisa é certa, tudo isto teve origem numa política monetária desastrosa, na moeda fiduciária. O tempo dirá.